Preservar a memória: restauração de cinco quadros históricos do acervo do MHJC
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A preservação do patrimônio histórico e artístico é uma das missões fundamentais do Museu de História Julio de Castilhos (MHJC), instituição da Secretaria da Cultura (Sedac). Por meio da conservação e do restauro, garantimos que obras que atravessaram décadas, e até séculos, continuem a contar a história do Rio Grande do Sul para as gerações presentes e futuras. Nesse contexto, cinco importantes quadros históricos do acervo do MHJC passaram, recentemente, por um cuidadoso processo de restauração. O trabalho foi realizado pela Floresta Restauro, sob a coordenação da restauradora Maria Cristina Ferroni, profissional reconhecida na área da conservação de bens culturais. A intervenção respeitou os princípios éticos do restauro, priorizando a integridade material das obras, a reversibilidade dos procedimentos e a preservação de suas características originais. As peças restauradas possuem grande relevância histórica, artística e simbólica, retratando personagens, paisagens urbanas e edificações marcantes da história gaúcha.
Entre os quadros contemplados pelo processo, está o retrato “Getúlio Vargas”, pintado por Amélia Ricciordi, em 1965. A obra representa uma das figuras mais emblemáticas da história política brasileira e integra o acervo como importante registro iconográfico do século XX. Outro destaque é “Antiga Rua da Praia”, de autoria de Athayde d’Ávila, sem data conhecida. A pintura retrata um dos espaços urbanos mais tradicionais de Porto Alegre, oferecendo um valioso olhar sobre a paisagem e o cotidiano da cidade em outro período histórico. Também passou por restauro o quadro “A Casa de Gomes Jardim”, produzido pelo Ateliê Calegari, em 1928. A obra registra a residência de uma personalidade ligada à história política e social do Rio Grande do Sul, sendo um importante testemunho visual da arquitetura e da memória local. Do mesmo ateliê, foi restaurada a pintura “Casa onde nasceu Bento Gonçalves da Silva”, sem data. A obra possui forte valor simbólico ao retratar o local de nascimento de uma das principais lideranças da Revolução Farroupilha, personagem central da história rio-grandense. Completa o conjunto o retrato “Gen. João Manuel de Lima e Silva”, de autor e data desconhecidos. Mesmo sem informações precisas sobre sua autoria, a obra tem grande importância histórica por representar um personagem relevante do cenário militar e político do período imperial.
O processo de restauro Durante o restauro, as obras passaram por etapas como diagnóstico do estado de conservação, limpeza criteriosa, estabilização de camadas pictóricas e reintegração cromática pontual, sempre respeitando os materiais originais e o envelhecimento natural das peças. O objetivo principal foi recuperar a leitura estética e estrutural dos quadros, sem apagar os vestígios do tempo que fazem parte de sua história. A restauração dessas cinco obras reafirma o compromisso do Museu com a salvaguarda do patrimônio cultural, garantindo que essas imagens continuem a dialogar com o público e a cumprir seu papel educativo, histórico e simbólico. Ao todo, 53 pinturas históricas do MHJC passarão por restauração, por meio de recursos provenientes de uma emenda parlamentar. Preservar é manter viva a memória, e cada obra restaurada é um elo renovado entre o passado e o presente.
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